21/07/2010 15:52

A crise mundial desafia os assistentes sociais

Nos dias 16, 17 e 18 de julho foi realizado na cidade do Rio de Janeiro o Encontro Descentralizado da região Sudeste.

Esse encontro é o espaço onde são discutidas e deliberadas as propostas apresentadas pelos profissionais de cada Estado da região para compor as ações do Conjunto Cfess/Cress no próximo ano. Durante os meses de junho e julho, cada região do Brasil realizou o seu descentralizado.

Após essas discussões, as propostas são encaminhadas para o Encontro Nacional do Conjunto, que este ano será entre os dias 09 e 12 de setembro, em Florianópolis, Santa Catarina (SC).
Do Nacional sairá o documento que norteará as ações do Conjunto em 2011.

Delegação capixaba
Os profissionais capixabas foram representados por uma delegação composta por sete delegados e cinco observadores.


Delegação capixaba no Descentralizado

Na abertura do evento, durante a apresentação das delegações, a vice-presidente do Cress 17ª Região, Juliana Iglesias Melim, destacou a importância do evento que define a agenda de lutas de uma categoria que conta com, aproximadamente, 80 mil profissionais em todo o Brasil.



“O Descentralizado e o Nacional são os espaços de definição do plano de lutas de uma categoria que tem que estar comprometida com a transformação em busca de uma sociedade mais justa. As definições que acontecem nesses espaços são de grande responsabilidade”, ressaltou Juliana.

O evento também contou com a participação de representantes do Conselho Federal de Serviço Social (Cfess) e da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (Abepss).

A crise não acabou
Na noite de sexta-feira, 16 de julho, a mesa de abertura do Descentralizado teve como destaque a professora da Faculdade de Serviço Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente da Abepss, Elaine Behring.

Elaine lembrou a crise mundial que assustou o mundo em 2009 e afirmou que ela ainda assombra os países. “A crise não acabou. No capitalismo ela não é disfunção, mas constitui o sistema”, defendeu.



Ela afirmou que o capitalismo contemporâneo, chamado de capitalismo maduro, tem um forte traço de destrutibilidade e que hoje a saída da crise é bem diferente do que aconteceu durante a depressão de 1929.

“Em 29, a saída Keynesiana da crise propiciou 30 anos de ouro para o sistema capitalista. As condições hoje para essa saída não são as mesmas de 29, hoje nenhum país consegue assegurar uma condição de pleno emprego Keynesiano, como se assegurou entre os anos de 1945 a 1970”, comparou Elaine.

Para exemplificar ela citou o crescimento do desemprego na Europa, destacando os casos da Grécia e da Espanha, que enfrentam graves problemas.

Elaine ainda destacou que o impacto subjetivo da crise sobre o mundo do trabalho também é importante. “Quando as condições econômicas pioram, há uma tendência de fragmentação da classe trabalhadora. Caminhamos para a despolitização, o individualismo, a desindicalização. Já vivemos isso há algum tempo, mas a crise acirra esse processo”, alertou.

Segundo a professora, essa situação aumenta a pressão sobre o assistente social, como o trabalhador que atua na garantia de direitos.

"No contexto da crise o capital sempre vai buscar a melhor forma de exploração sobre o trabalho e essa busca aumenta ainda mais a exploração sobre os trabalhadores”, apontou.

Dinheiro público para salvar o capital
A professora Elaine Behring também criticou a utilização do dinheiro público para sustentar as saídas da crise, para o pagamento de juros, de dívidas públicas, para salvar empresas. Tudo isso sobre a ‘desculpa’ da manutenção do emprego.

“Os números são astronômicos para salvar principalmente o agronegócio. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)doou R$ 40 bilhões para esse setor que é majoritariamente vinculado à exportação, e já não utiliza força de trabalho, mas se justifica isso em nome do emprego”, criticou.

Crise também afeta as políticas públicasPara Elaine, as políticas sociais também são atingidas nesse contexto de crise. E se tornam ainda mais focalizadas, menos universais, menos preventivas e mais compensatórias.

“Com o aumento do desemprego e os cortes dos governos nas políticas sociais as populações pobres são contidas a partir da criminalização, da expansão das prisões e do investimento nas polícias e com fortes repercussões sobre os Direitos Humanos”, denunciou.

De acordo com ela, esse é um momento que necessita de muita firmeza e direção política das direções das classes trabalhadoras, com políticas de frente única para se contraporem aos mecanismos que fragmentam a classe trabalhadora.

Desafios para os AS
A professora da Uerj e presidente da Abepss listou os desafios dos assistentes sociais diante desse contexto.

Para ela o Serviço Social brasileiro amadureceu muito nos últimos anos e os profissionais tem que atuar em dois braços: um para dentro da categoria e outro para fora, não permitir o isolamento e buscar relações com os demais trabalhadores.

Segundo Elaine, no campo das políticas sociais os profissionais cumprem um papel importante, organizando um pólo de esquerda, atuando contra as fundações de direito provado.

No campo da Assistência Social ela citou todos os seminários que o Conjunto realizou. Eles estabeleceram parâmetros para a crítica do processo de focalização e seletividade das políticas.

Já no campo da formação profissional a luta é mais complexa, definiu Elaine. “Estamos lidando diretamente com o processo da supercapitalização. Estamos diante no núcleo duro do capital que é a venda da educação como mercadoria”, alertou.

Por último, dentro do campo da organização política, ela destacou o desafio da organização sindical.
Elaine criticou o atual grupo sindical que vem criando sindicatos de assistentes sociais pelo país. 

Segundo ela, esse grupo tem um projeto político muito limitado e todo o processo está longe de contar com a participação democrática e massiva da categoria.

Ao finalizar, a professora afirmou que os desafios não são pequenos, “mas estamos à altura deles e precisamos implementar nossa agenda de lutas com intensidade e radicalidade”, concluiu, finalizando a sua palestra e dando início ao debate.

Grupos e Plenária
No sábado, 17, os participantes do Encontro trabalharam em grupos. Pela manhã foram realizados os grupos de trabalho dos eixos de Comunicação, Formação Profissional/Relações Internacionais e Ética e Direitos Humanos.



À tarde foi a vez dos eixos Gestão Administrativa e Financeira, Orientação e Fiscalização Profissional e Seguridade Social. Para saber mais sobre o trabalho dos grupos clique aqui.

No domingo a Plenária Final fechou definiu as propostas que serão encaminhadas ao Encontro Nacional e fechou o evento.

Fonte: Nova Pauta Comunicação

 

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