
Neste ano, o dia da/o assistente social traz como tema aprovado no 48º Encontro Nacional do Conjunto CFESS/CRESS: “A valorização do Serviço Social no contexto de ataques às liberdades democráticas e aos direitos, com ênfase na dimensão pedagógica do trabalho profissional, na organização popular e na luta antirracista”. Vivenciamos um momento inédito, onde precisamos nos reinventar para essa nova forma de comemoração ao dia 15 de Maio, reafirmando um dia de resistência, de valorização da profissão que construiu ao longo da sua história um projeto profissional vinculado aos interesses da classe trabalhadora, e também um momento de reflexão coletiva! Nesta direção, o CRESS 17ª Região – Gestão “Tempos de Resistir” (2017-2020), vem saudar a todas/os assistentes sociais, nesta data especial, que com compromisso e direção vem empreendendo esforços no cotidiano do exercício profissional! Pois, como ressalta a querida professora Marilda Iamamoto, compreendemos que, “O desafio é afirmar uma profissão voltada à defesa dos direitos e das conquistas acumuladas ao longo da história da luta dos trabalhadores no País, e comprometida com a radical democratização da vida social no horizonte da emancipação humana..” (p.470,2008).
Quando o tema foi aprovado, em Setembro de 2019, nem imaginávamos que estaríamos vivendo o atual cenário. A proposta foi pensada em um contexto de ataque às liberdades democráticas e aos direitos sociais. No entanto, a conjuntura se complexifica neste momento em que, mundialmente, enfrentamos uma pandemia em decorrência do novo Coronavírus (COVID-19). É um cenário desafiador, com uma crise que expõe ainda mais as contradições de um projeto de sociedade em que as prioridades são os interesses econômicos em detrimento da vida e das necessidades da população, e desafiador porque exige que a nossa categoria permaneça atenta sobre as condições éticas e técnicas do nosso trabalho profissional.
São tempos, sobretudo, de reforçarmos e valorizarmos o trabalho profissional daquelas/es que estão defendendo veemente uma classe e seus direitos. Daqueles/as que estão na linha de frente, cotidianamente, reforçando seu compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e na defesa intransigente dos direitos humanos. De todas/os assistentes sociais que estão nas atividades essenciais, colocando suas vidas em risco, deslocando-se diariamente aos espaços de trabalho, muitas vezes em situações de perigo, para assegurar atendimentos que possibilitem acesso aos bens e serviços públicos à população, em defesa da vida, como afirma nosso Código de Ética Profissional. Por isso, exigimos condições de trabalho para nossa proteção e de toda a população atendida! Não queremos ser heroínas ou voluntaristas e sim cumprir com o preconizado em nosso Projeto Ético-Político!
Falar desse tema é também falar da importante articulação com as entidades que historicamente tem defendido e fortalecido a profissão, como o Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e a ENESSO. Essas entidades, além do compromisso com nosso Código de Ética e Projeto Ético-Político, tem também desempenhado um papel na sociedade de incentivo à organização popular e articulação com os movimentos sociais. Sabemos que só a luta muda a vida e, nessa conjuntura, a coletividade na luta se faz ainda mais necessária, na defesa de uma saúde pública e de qualidade, na defesa de um outro tipo de sociedade, sem exploração e dominação. Sugerimos a leitura livre e atenta dos materiais produzidos por nossas entidades – CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO, que problematizam sobre o exercício profissional, e contribuem para construção de estratégias profissionais. Nesta direção, precisamos nos reapropriar cotidianamente do acúmulo teórico-metodológico, ético-político e técnico-operativo construído pelo Serviço Social na sua história e que consolida o Projeto Ético-Político. Assim, tais dimensões do exercício profissional são luzes que nos potencializam a compreender a realidade na sua essência, numa perspectiva da racionalidade emancipatória, onde o ser humano é essência da nossa ação. Razão e Ação se colocam a partir de escolhas conscientes, onde temos nitidez dos nossos limites e possibilidades no cotidiano do trabalho profissional.
Falar ainda desse tema é reconhecer qual setor tem sido mais afetado com esse momento atual, marcado pelo aprofundamento do desfinanciamento das políticas sociais, especialmente com a Emenda Constitucional/95 que congela os gastos sociais por 20 anos. Trata-se, portanto, de um contexto marcado pela lógica que intensifica a mundialização financeira, e não privilegia as políticas sociais públicas no atendimento às necessidades da população brasileira. São também tempos de reafirmar nossa luta pelo fim do racismo estrutural, enraizado e naturalizado em nossa sociedade. Afinal, as consequências mais drásticas têm como alvo corpos de uma classe, que tem gênero e raça. São mulheres e homens negras/os que, com toda essa conjuntura, têm sido mais expostos/as à situações de contaminação. Isso porque, as péssimas condições de habitação, de acesso a bens e serviços públicos, à informalidade do trabalho têm colocado essas pessoas em situações ainda mais precárias. Nesta direção, para este segmento, o isolamento não se coloca como uma possibilidade viável de preservação da vida.
É nesse sentido, que a categoria precisa refletir criticamente sobre o seu processo de trabalho em tempos tão difíceis para o conjunto da classe trabalhadora, e com particularidades para as/os assistentes sociais. Por isso, o 15 de Maio reafirma a importância dessa profissão que não foge da luta, mesmo em condições adversas que se agudizam nesta pandemia. Registramos o compromisso da nossa categoria atuando a partir da dimensão sócio educativa na saúde, assim como também em outras áreas de atuação, através da socialização de informações e na concessão de benefícios socioassistenciais, um fazer profissional mediado pelos limites impostos pela reordenação do trabalho nas políticas públicas, mas também marcado pelas possibilidades direcionadas pelo Projeto Ético-Político. Afinal, o compromisso com a defesa da classe trabalhadora expressa um direcionamento determinante das nossas ações. E que, em tempos tão difíceis, precisamos nos fortalecer coletivamente e avançar na luta pela construção de uma sociedade socialmente referenciada pela defesa da vida humana. Por isso, destacamos aqui um dos princípios fundamentais do nosso Código de Ética Profissional, particularmente neste momento histórico do 15 de Maio de 2020, onde nossa “opção por um projeto profissional é vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero”.
Por fim, queremos ressaltar que nosso trabalho, enquanto assistentes sociais, mostra-se como imprescindível nesse cenário desafiador. Por isso, parabenizamos todas/os assistentes sociais pelo seu dia!
Precisamos estar atentas/os e fortes, pois são tempos de resistir! Sempre na luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora a qual pertencemos, em defesa da nossa profissão e das nossas bandeiras de luta! Em defesa de relações sociais que efetivamente nos humanizem enquanto seres sociais!
“[...] Com tanta gente que partiu no rabo de foguete Chora a nossa Pátria, mãe gentil Choram Marias e Clarices no solo do Brasil. Mas sei, que uma dor assim pungente Não há de ser inutilmente, a ESPERANÇA [...] O bêbado e a equilibrista - Por Aldir Blanc (vítima do novo Coronavírus no último dia 04 de Maio) e João Bosco, na voz de Elis Regina.
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