O auditório do CCE, na Ufes, em Vitória, recebeu um bom público no primeiro dia do evento. A mesa “A história do Serviço Social a partir dos seus sujeitos coletivos” foi destaque

Foi bonita a abertura do VII Encontro Capixaba de Assistentes Sociais, nessa quinta-feira, 12, no auditório do Centro de Ciências Sociais (CCE), na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
A mesa de abertura do evento foi composta pela presidente do CRESS-17, Camila Costa Valadão, pela representante do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Juliana Iglesias Melim, pela vice-presidenta da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABPESS) Leste, Maria Helena Elpídio Abreu, pela assistente social e mestre em Política Social, Flaviane Delano, e pela estudante e representante da Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social (Enesso), Mayra Lima.

Camila abriu o encontro fazendo uma análise crítica da conjuntura atual do cenário político nacional e ressaltou as dificuldades que a/o profissional do Serviço Social deve enfrentar, deixando seu recado. “Não podemos nos calar diante desse retrocesso que já vem acontecendo e vai se agravar agora no governo do presidente interino, Michel Temer”, articulou a presidente.
A mestre em Política Social Flaviane Delanos parabenizou a todas/os presentes pelos 80 anos do Serviço Social no Brasil e reforçou que o assistente social precisa enxergar além do capital. “O profissional lida com a ponta do atendimento a todo o momento. Não podemos aceitar lidar com os usuários de uma forma tecnicista, apenas preencher um cadastro. Essa reflexão, além de tudo, precisa ser humana”, apontou Flaviane.
Mulheres de luta
“Mulheres belas, de rua e de luta!”, foi dessa maneira que a representante do CFESS, Juliana Iglesias, se referiu às mulheres que fazem parte do universo do Serviço Social.
Ela lembrou que as mulheres são maioria na profissão e, também, que os atendimentos são majoritariamente feito a mulheres.

Assim como Flaviane Delanos, a vice-presidente da ABEPSS Leste, Maria Helena, reiterou o posicionamento contra o tecnicismo e o produtivismo no curso de Serviço Social. “Não podemos aceitar a formação tecnicista dos nossos estudantes, apenas para preencher cadastro. O profissional do Serviço Social não pode se limitar a ser um tarefeiro”, disse a professora. Ela ainda fez uma ‘provocação’ em tom de questionamento, diante do ministério ‘reforçado na testosterona’ apresentado pelo presidente interino Michel Temer: “o que podemos esperar de um governo composto apenas por homens?”.
Representando os estudantes e a Enesso, Mayra Lima, destacou os desafios das/dos estudantes na universidade, no curso de Serviço Social, e ainda pontuou a importância da participação dos estudantes nos debates. “Essa é uma forma de colocar o estudante muito próximo do seu fazer profissional”, concluiu a estudante.
80 anos
Após a mesa de abertura, a história da profissão no país e no ES e desafios atuais foram destaques na mesa: “80 anos do Serviço Social no Brasil: a história do Serviço Social a partir dos seus sujeitos coletivos”. A conselheira do CRESS-17 Michely Mezadri foi a mediadora.

A professora da Ufes Maria Lúcia Teixeira Garcia exibiu um vídeo sobre a história do curso de Serviço Social na Ufes. A peça mostra profissionais que ajudaram a construir a história da categoria no Espírito Santo e contém depoimentos
Maria Lúcia ainda lembrou que este ano o Departamento de Serviço Social da universidade federal completa 46 anos.
O representante discente de pós-graduação da Abepss Leste, Rochester Santana de Lima, compôs a mesa e declarou sentir-se “privilegiado por participar de uma mesa composta por grandes assistentes sociais”. Ele expôs sobre as novas avaliações do exercício da profissão.
Já a assistente social do Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases) Andressa Veloso expôs suas experiências profissionais no instituto e denunciou que o Iases “é um dos maiores violadores de diretos humanos”.
Ela ainda destacou as barreiras que o mercado impõe para o exercício da ética profissional. “São demandas que chegam para nós que apenas o código de ética ajuda a nos respaldar, acerca da proteção e do respeito ao sigilo profissional”, alertou Andressa.
Aniversário com regressão de direitos, infelizmente
“Completamos 80 anos em um contexto de regressão de direitos e de retrocessos nas conquistas sociais, políticas e econômicas. Diante disso, apesar de ser um desafio para a categoria e para o conjunto da classe trabalhadora, é muito oportuno comemorarmos nossas conquistas e vitórias ao longo desses 80 anos”. Com esse recado, a assistente social Nildete Turra lembrou que a força da classe trabalhadora não pode ser esquecida, ainda mais no atual momento brasileiro.
Nildete também enfatizou a importância do discurso feminista. “Esse discurso é importante porque a categoria e o total de pessoas atendidas são compostos em sua maioria por mulheres. E como profissionais e principais usuárias, nós precisamos expor o nosso posicionamento acerca das políticas públicas”, apontou.
Ela ainda elogiou o evento, ressaltando que as mesas trazem sujeitos com participação ativa na construção da profissão, na organização política, na construção do ensino e na formação profissional. “Essas discussões são importantes para a categoria”, avaliou.
Influência cubana
Com mais de 40 anos de formação, a professora Eugênia Célia Raizer, graduada pelo Instituto Social de Vitória, em 1969, falou da influência da Revolução Cubana na formação da profissão nos anos 60. Ela contextualizou a profissão na história e as suas mudanças, tanto no Espírito Santo, como no Brasil.

“O debate resgatou traços, histórias e principais eventos do Serviço Social brasileiro e capixaba, e como isso vem sendo feito com esforço, através das suas entidades, para construir um Serviço Social comprometido com a defesa do projeto ético-político da categoria”, afirmou.
Eugênia frisou que a questão da crise capitalista e o empobrecimento geral são desafios para a profissão. “A falência das universidades públicas e o descompromisso com o ensino público são pontos que nós temos que voltar a discutir à luz desse novo contexto do ensino à distância, e o uso que as empresas fazem desses profissionais. A nossa preocupação de fundo é da precarização do profissional, mas não podemos desconsiderar o empobrecimento, uma realidade do empobrecimento geral e o tanto de gente que precisa de acesso ao ensino e o Estado não possibilita”, apontou.
Após a mesa, aconteceu uma confraternização no prédio da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes).
Clique aqui e confira imagens do VII Encontro Capixaba de Assistentes Sociais.
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