06/05/2009 14:09

Audiência do CRESS lota o plenário da Ales e mostra graves problemas do EAD


A audiência pública Formação Profissional e Ensino a Distância (EAD), promovida pelo Conselho Regional de Serviço Social da 17ª Região (CRESS-17), levou mais de 250 pessoas ao Plenário Dirceu Cardoso, da Assembléia Legislativa do Espírito Santo (Ales), na noite dessa terça-feira (05). O evento foi uma deliberação do 37° Encontro Nacional do Conjunto CFESS/CRESS realizado em 2008, em Brasília.

Pela deliberação, todos os Conselhos Regionais devem realizar a audiência em seus estados. O CRESS-ES foi o primeiro a realizar o evento.

O debate evidenciou os problemas e deficiências dessa modalidade de ensino, que já funciona em vários municípios capixabas, oferecendo graduação de Serviço Social. O MEC prometeu sanar os problemas. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) quer a suspensão imediata desses cursos.

A presidente do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), Ivonete Salete Boschetti, explicou que não defende o melhoramento dos pólos de EAD do Espírito Santo e sugeriu suspendê-los por entender que ferem a lei que regulamenta a profissão e o Código de Ética do Serviço Social. ?A gente não tem assegurado o direito da Lei (Federal) 8.222 e do nosso código, pelo não cumprimento de coisas básicas, como a supervisão de estágio dos alunos.

O diretor de Regulação e Supervisão do EAD do MEC, Hélio Chaves Filho, disse que o papel do poder público é trabalhar para dar mais qualidade para essa modalidade de ensino. Sem garantir, contudo, que não haverá mais transgressões às leis que regem a profissão do assistente social. Ele adotou o discurso de melhorar os pólos de EAD no Estado, através da fiscalização, e explicou que a modalidade foi propiciada no Brasil ?com práticas heterodoxas, não irregulares.

Independentemente do eufemismo do representante do MEC ao explicar as práticas do EAD, o público presente no Plenário Dirceu Cardoso, em alguns momentos do debate, fez ecoar na assembléia os gritos de ?educação de qualidade não é possível com o EAD.

Deputado abre os trabalhos da audiência
O deputado estadual Claudio Vereza, presidente da Frente Parlamentar da Assistência Social da Ales, foi o moderador da audiência pública.

Vereza lembrou que o tema é polêmico e por isso se justifica a audiência. Ele falou ainda sobre o cotidiano da Ales. As sessões (de votações dos deputados) da assembléia são frias, e as audiências tornam mais caloroso o plenário da Casa, ressaltou.

A primeira a discursar foi a coordenadora regional de Graduação da Regional Leste da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), Maria Helena Elpídio Abreu.

A representante da ABEPSS disse que um dos objetivos do evento é trazer a discussão da graduação. Ela explicou a finalidade do debate. Lutar contra a precarização do ensino superior, destacar a educação como princípio formador e crítico, assegurada no campo dos direitos, apontou Maria Helena.

Ela ainda fez críticas ao ensino superior que sempre foi voltado às elites. Disse que o processo de democratização é uma farsa e comparou o EAD ao canto da sereia. No entanto, o que se vê são a subalternização profissional e a precarização de formação do exercício profissional, salientou.

Maria Helena revelou ainda o que predomina nessa modalidade. Mais quantidade, menos qualidade, essa é a tônica do EAD, que segue na contramão da pesquisa e extensão que se tem na universidade. A coordenadora disse que a ABEPSS é contrária ao EAD, por estar na defesa do projeto ético político do conjunto CFESS/CRESS.

Dossiê
Após a fala de Maria Helena, Vereza registrou a presença de alunos e professores de diversas faculdades (presenciais e a distância); representantes de diferentes prefeituras do Estado; de ONGs; do INSS; entre outros. Em seguida, passou a palavra à conselheira do CRESS-17 Aline Pandolfi.

Ela mostrou os números que revelaram o descaso das instituições de EAD no Estado, ao discursar sobre os estágios obrigatórios e a realidade dos pólos de cursos à distância registrados pelo CRESS-17. Todos esses dados fazem parte de um dossiê produzido pelo CRESS-ES sobre o EAD no Estado.

Aline disse que a formação do EAD é descontrolada. Dentre os impactos registrados estão: a existência de EAD em municípios que têm faculdades presenciais; a presença de turmas de 30 alunos em municípios que têm dois ou três assistentes sociais atuando; a não obrigatoriedade de pré-requisitos; a inexistência de supervisores nos campos de estágio; e problemas com os tutores, responsáveis por orientar os alunos.

Ela explicou que o tutor pode estar sujeito a exercício ilegal de outras profissões. O tutor, que é um assistente social, vai ter que explicar sobre outra disciplina, como Sociologia, sem o devido conhecimento de um profissional daquela área, analisou.

Aline mostrou o levantamento das instituições de EAD no Estado. A Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) está presente em 52 municípios. A Universidade Paranaense (Unipar), em seis municípios. Universidade de Uberaba - MG (Uniube), em oito. E sobre a Uniderp (do Mato Grosso do Sul), a gente não encontrou, revelou. E citou que há pelo menos uma turma de Serviço Social em quase todos os municípios do Espírito Santo.

A conselheira explicou que essas instituições não vivem a realidade social, política e econômica capixaba, trazendo sérias carências para formação profissional. Ela ainda informou sobre supervisores de campo que registram os campos mesmo sem estágio.

Após os alarmantes números apresentados pela conselheira Aline, o representante do MEC, Hélio Chaves Filho, fez sua fala pregando a utilização do EAD. Chaves disse que é preciso utilizar essa modalidade de ensino, como uma nova tecnologia, e sugeriu denunciar os abusos cometidos pelas instituições relatados pela representante do CRESS-17.

Se você faz o curso ou não e vê esses problemas, denuncie?, disse Chaves. Para ele, é preciso ?exercitar nossa inteligência de uma realidade que está posta. Não nos cabe dizer que não queremos isso, por causa de um projeto ser contrário, defendeu.

Chaves ainda citou que é de interesse do MEC fazer com que instituições públicas passem a oferecer o EAD.

Radicalmente contra
Em seguida a presidente do CFESS, Ivonete Salete Boschetti, fez seu discurso. Além de propor a suspensão imediata dos cursos de EAD, ela defendeu a valorização do Serviço Social. Somos radicalmente contra o EAD na graduação de Serviço Social. A nossa posição é do direito de cidadania que os alunos do EAD devem ter. Queremos que todos possam valorizar o exercício da profissão, anotou.

A presidente do CFESS mostrou a luta do Conjunto CFESS/CRESS contra essa atividade e destacou como é imprescindível uma formação profissional adequada para que o assistente social possa atuar da melhor maneira nos mais diversos campos de trabalho.

Na sequência, o moderador, deputado Vereza, abriu o debate para os participantes. Vários alunos, professores e profissionais usaram o microfone para fazer perguntas e desabafos. Apesar da presença de várias faculdades e alunos do EAD, ninguém apareceu para defender essa modalidade de ensino.


Fonte: Nova Pauta Comunicação

 

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Atos de vandalismo foram praticados contra a sede do Conselho durante o não funcionamento do mesmo, do dia 28 outubro a 02 de novembro, devido aos feriados do Dia do Servidor Público e Dia de Finados, respectivamente.

 

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Cress-17 convida a categoria a refletir sobre as eleições de 3 de outubro à luz dos princípios do Projeto Ético Político da profissão

 

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CRESS-17 vem a público comunicar que a prática tem aumentado no Estado

 

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